
O que é bom,quando se é reformado,é termos tempo para o que nos apetece.
Até ver televisão...
Apreciei muito a entrevista ao António Barreto,feita por Judite de Sousa.
Gosto muito dele,desde o tempo em que foi Presidente do CITAC.
Até,há muito,já lhe perdoei a Lei Barreto!
Mas há coisitas,se calhar de somenos,em que continuo a discordar:
Há pouco,ele repetiu,referindo as grandes diferenças da sociedade de há 45 anos e a actual,que uma das grandes diferenças é a do papel da mulher na sociedade.
Estou completamente de acordo.
Mas Judite pediu-lhe que explicitasse as origens dessa grande diferença.
António Barreto referiu as duas que ele entende principais:
1.O aparecimento da "pílula",que deu grande liberdade às mulheres;
2.Essa liberdade levou-as à conquista do mercado de trabalho,o que fez juntar a liberdade a uma certa independência económica.
Claro que estou de acordo,mas creio que estas duas diferenças tiveram origem em dois factores não referidos:
1.A emigração;
2.A Guerra Colonial.
Estes dois factores,no início da década de 60,provocaram uma completa "sangria" dos homens,em Portugal.
As mulheres,que ficavam,foram FORÇADAS a organizar a vida familiar,fazendo de pai e mãe.
Por esse tempo,de grande expansão dos serviços,no mercado de trabalho quase só havia mulheres.
E elas cumpriram de forma exemplar o seu papel e claro que aproveitaram o ávido mercado de trabalho e a "pílula" que dava os primeiros passos.
É só nesta pequenita coisa que discordo do que António Barreto defende.