É engraçado esse negócio de parcerias. Antes de ter um parceiro, fazias minhas primeiras músicas com temas coloquiais, como o elevador, o aniversário, o por do sol no Leblon da minha infância e adolescência, nos anos 60. Mas não mostrava pra ninguém, porta do quarto fechada, timidez quase beirando a vergonha. Quando um amigo, Cleston Teixeira, me perguntou se eu não queria colocar letra numa de suas músicas, enorme, eu aceitei na hora e viramos parceiros. Acho que nunca monstrei a ele as canções que já fazia no bolso do quarto, quase no fundo do guarda-roupa (e aí, o trema treme ou não treme?). Cleston mudou-se para sumpaulo e fiquei alguns anos compondo sozinho ou com poemas de minha namorada, a poetiza UlaAlvarez. Mais tarde, conheci o José Carlos Mello, e fez-se mais uma parceria, inicialmente cumprindo o papel de letrista e depois dividindo também a criação das melodias. Às vezes, Mello ficava horas tocando um baião, que ele chamava de "raganordestino", composto quando morava na mesma república que o compositor paulistaPassoca, nos tempos de faculdade em São José dos Campos. Ouvi tanto esse raga que acabei colocando a letra e o baião virou Perna Curta. Só vim conhecer o Passoca uns vinte anos depois, quando veio ao Rio fazer um show de lançamento de seu excelente disco Breve História da Música Caipira, obrigatório para quem ouve a sério a música desse país. E essa foi a única vez que encontrei esse parceiro. Perna Curta foi gravada pela cantora mineira Aline em seu primeiro disco independente. O mesmo ocorreu com a atriz, modelo, escritora, poetiza e cineasta Bruna Lombardi, de quem eu musiquei uns 10 poemas de seu livro Gaia mas nunca tive a oportunidade de mostrar-lhe. Já pertenço à sua comunidade no Orkut mas nunca tive resposta sobre um local para mandar-lhe um CD com as nossas parecerias. Quem sabe um dia ela faz uma pesquisa e lê isso aqui?
PERNA CURTA Música: J.C. Mello e Passoca Letra: GersonDeslandes
Vocal: Beth Rego e Simone Guedes
Violão Nylon: Gerson Deslandes
Guitarra: Nito Lima
Bateria: Fernando Seixas
Teclado: Kiko Furtado
Baixo: Paulo Rocco
Percussão: João Ayres
Produção: André Neiva
O dia é mudo mas a noite faz discurso O muro é alto mas é feito de papel Teu fogo é chama Que só queima a superfície Tua chuva molha pouco Porque não chove do céu Teu vento é brisa, Morro teu não dá crioulo Teu cheiro é forte Mas não chega a entorpecer Teu mar é doce, tua farinha não dá pão Teu fermento não dá bolo, Não tem força pra crescer
Esse meu canto retalhado no meu peito É sinal de que estou feito, É sinal que dou trabalho Não me serve de telhado, Muito menos de agasalho Mas estanca o navalhado E sossega o teu chocalho Teu cala a boca não me cala o coração Tenho pimenta nos olhos, Minha língua é meu facão Tu abre o olho, Formigueiro não se chuta Mentira tem perna curta Inda vou te ver no chão.
Os políticos,aprendizes de pescador,cada vez utilizam mais o engodo.
O povo,como os peixes,sente-se atraído pelo engodo(junto ao anzol) e esquece-se de tudo o que é importante...
Vai no engodo!
O Governo inventou uma questão fracturante:casamento de pessoas do mesmo sexo!
A oposição responde com as "trapalhices" do 1º Ministro!
Tudo corre bem.
Os "engodos" funcionam:tudo o que é aldrabice de BPN,BPP e afins fica para outra altura;tudo o que são os problemas do povo:desemprego,pobreza,insegurança,saúde,ensino,justiça,etc. também ficam para outra altura.
Agora,o que é prioritário,é saber se o Sócrates é "pinóquio" e se devem ser incluidos,nas leis da família,os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Mais uns meses,andamos a discutir se o queijo da Serra deve ser feito com leite de zebra! Vamos no engodo,mas PAGAMOS! Em 13 de Fevereiro deste ano já era uma boa "análise"...
Gosto de ler O CADERNO DE SARAMAGO. Jorge Sampaio,o nosso último grande Presidente,aparece referido por Saramago com uma ternura cativante. Talvez porque sejam homens de outro tempo,a verticalidade,a honra,o pudor são referências comuns. Saramago lembra a campanha eleitoral para a Câmara de Lisboa,em 1989,em que ambos foram eleitos:Jorge Sampaio para Presidente da Câmara e José Saramago para Presidente da Assembleia Municipal. Refere o pudor de ambos,em plena campanha,para pedir à população que votasse neles! Era um constrangimento inultrapassável... A população reconheceu homens bons,dignos e livres e votou neles. Sobre Sampaio,Saramago escreve: "Não há palavras falsas,podemos fiar-nos no que diz porque é o retrato do que pensa". Ou seja,quando me lembro de Sampaio,não me acontece ter que "bater" uma placa de 5$00 para ver se soa a froucho! A fotografia foi "picada" no blogue "O Caderno de Saramago"
Ajuda-me,Senhor! Deixa-me obrar sossegado! Que alívio... Que venham,agora,os "assaltantes" e me falem,de preferência calmamente,dos temas prioritários como a regionalização,o casamento de pessoas do mesmo sexo,o TGV,o aeroporto de "Lisboa" e o contributo patriótico para o Migalhães... Lá foi mais uma "andorinha"!
Se o futebol "acabasse" hoje,a classificação estava "feita": FCP 40,3% SCP 29,1% Outros Outro 10,1% Outro 8,8% Outro 6,9% Fora disto,ficaram os que não responderam,ou disseram vão pró c... De notar que a soma dos "outros" não põe o 2º lugar em causa!
A maior corticeira do mundo,propriedade do homem mais rico de Portugal,anuncia 193 despedimentos. Não porque esteja em dificuldades. Apenas,antevendo a "crise"... O mercado da rolha tem estado a caír... Admite-se que os resultados de 2008 sejam ligeiramente inferiores aos de 2007:um resultado líquido de 23,245 milhões de euros! Tem uma atenção para com os despedidos: no primeiro ano,manterá o cabaz de Natal e o seguro hospitalar!!! À cautela vai despedindo!!! Votos de boa saúde,Dr.Amorim.
Para lá do mau tempo,das crises a todos os níveis,Portugal continua a ser habitado por portugueses. Têm o defeito de não ser um número! Limitam-se a ser pessoas! O Governo,como lhe compete,está atento aos tempos que correm. Viu que,todos os dias,são encerradas várias empresas e milhares de cidadãos ficam no desemprego... Mesmo empresas,com grandes incentivos financeiros e com obrigações a cumprir,de um dia para o outro,desmontam a tenda e vão-se embora. Duvido que,mesmo o Governo,saiba o número de desempregados existente. A minha dúvida é sustentada pela ignorância que o Governo tem manifestado,ao não saber o número de funcionários públicos existentes... De qualquer modo,o encerramento de empresas está a um ritmo impressionante e o Governo resolveu agir:disponibilizou 580 milhões de euros,para o combate ao desemprego. É uma verba impressionante,embora seja uma migalha comparado com o que enterrou,para "salvar" dois bancos privados,em nome da "economia nacional". Neste caso,ao que se sabe,há um "banqueiro" em prisão preventiva e dezenas a assistir,no seu sofá,ao que se irá passar! Mas falemos nos tais 580 milhões de euros. Serão criados 400 gabinetes,para distribuir os 580 milhões. Se,por acaso,cada gabinete for constituido por 3 desempregados,quer dizer que,temporariamente,1.200 desempregados tiveram trabalho. Mas 580 milhões é um número impressionante! E as pessoas?! Sim.As pessoas que estão desempregadas. Não são números! São pessoas! Os números,esses do dinheiro,sempre serviram para nos enganar! Despejam muitos milhões na saúde,e não há saúde. Despejam muitos milhões na educação e é melhor nem falar... Despejam milhões na justiça e ainda não chegaram para os legisladores saberem escrever leis,de modo a que os cidadãos as percebam e os juízes as saibam interpretar. Despejam milhões na segurança interna e!!! Segurança?! Só nos "apanhados"... Têm que perceber o básico: os milhões que despejam,porque são de nós todos,têm que ser úteis aos cidadãos,pessoas deste País! Se for só uma questão de números,até podemos dizer que vocês são demais!
Pois. Mudou o mês e,ainda por cima,a um domingo! Acalmem-se companheiros. Apenas tive um atraso. O artigo do Sérgio ficou para mais tarde. Mas,digam-me lá:não valeu a pena a espera?! SFB confirmou o que sabíamos: o "rapazola" continua à solta e,pelos vistos,continua a ter "compradores"... Convenhamos,SFB,José Sócrates já devia ter tomado conta da "agenda" e,por todos os motivos e mais alguns,não a deixar ao alcance do "rapazola"!
Vista aérea do Canal do Jardim de Alá quando chega na praia -
é bonito, é bonito... como dizia Caymmi do mar da Bahia.
Na esquina de Av. Epitácio Pessoa com Rua Visconde de Pirajá, na fronteira de Ipanema com o Leblon, fica o Jardim de Alá, que se estende nas margens do canal que liga a praia de Ipanema à Lagoa Rodrigo de Freitas. Um dos mais bonitos espaços públicos do Rio de Janeiro, infelizmente também um dos mais abandonados. Existem razões para tal abandono, mas fica para outra postagem. Na esquina mencionada não tinha nenhum clube cheio de mineiros cantando, mas sim um bar chamado Garden, que era uma espécie de nosso escritório. Era um excelente restaurante, não era badalado como os bares de Ipanema ou Copacabana, tinha um chope honesto e garçons pacientes. Ele ainda existe, agora mais sofisticado, com a varanda fechada para os passarinhos que cantavam quando o sol chegava ou ia embora. Certa noite cheguei ao Garden e fui presenteado pelo meu parceiro Mello com um poema que ele havia escrito e não estava animado para musicar. Peguei o papel datilografado, coloquei na bolsa de couro que sempre me acompanha e continuamos a noite etílica, que parceria não se discute na frente de estranhos, é coisa séria e particular entre os parceiros - os demais são estrangeiros nessa praia. De madrugada, ao chegar em casa, peguei o violão para me lembrar de uma canção que estava compondo há alguns dias e... É isso mesmo que você pensou, caro leitor: a letra casou direitinho com ela. Fiz apenas uma inversão de frase, mais pelo sentido do que pela melodia, e incluí o refrão final, que até hoje me causa dúvidas quanto à necessidade da letra.
Eu gosto de contar como surgem as músicas, talvez por não ter nenhuma gravada por algum intérprete profissional- passam a ser testemunhas de nossas histórias, bacanas ou não. Amoroso é um caso desses. Meu parceiro José Carlos Mello fez uma pequena viagem para uma praia "paradisíaca" no Espírito Santo e voltou com algumas canções pedindo letras. Uma delas era essa, que não aprendi a tocar imediatamente e, por isso, levei muito tempo para letrar. A primeira letra que fiz para ela foi "OPERALHO", um trocadilho horroroso, mais uma provocação à caretice da época, quando dizer um palavrão em transmissão radiofônica podia significar alguns meses na cadeia... Vou colocar esse poema no blog POETAGEM para apreciação - basta uma leitura para verificar que não tinha nada a ver com o clima da música a que se destinava, apesar de tecnicamente estar prefeito: métrica, ritmo, etc. Já estava me incomodando a canção sem letra na minha cabeça quando o parceiro, num domingo de sol, convidou-me a comer uma paella num restaurante espanhol perto da minha casa. Levei a primeira parte da letra para mostrar-lhe, tinha feito na noite anterior. Depois da suculenta refeição e variadas bebidas, terminamos o trabalho e, aí sim, resolvi aprender a tocá-la. Para a gravação do grupo Música Escarlate aceleramos o ritmo, para ficar meio samba-bossa nova e incluí a introdução, que eu usava em outra música já desativada...
AMOROSO
Autores:
Música: José Carlos Mello
Letra: Gerson Deslandes
Vocal: Beth Rego e Simone Guedes
Violão Nylon: Gerson Deslandes
Guitarra: Nito Lima
Bateria: Fernando Seixas
Teclado: Kiko Furtado
Baixo Fretless: André Neiva
Percussão: João Ayres
Flauta: Marcelo Moreno
Produção: André Neiva
Direção Musical: Gerson Deslandes
AMOROSO
Apaixonado Olhando o mundo com olhar adocicado Estou vivendo aquele sonho decorado Em tantas noites que eu sonhava acordado E quando o dia amanhecia achava errado
Agora quero que ele chegue apressado
Só pra estar novamente do seu lado
Apaixonado
Eu fico assim tão amoroso
Que o sudoeste, esse vento perigoso,
De repente, sopra até gostoso
Trazendo a chuva que me pega descuidado
No arrepio desse beijo escorregado Que eu só sinto quando estou
Apaixonado
Ps: coloquei a palavra "paradisíaca" entre aspas por razões pessoais: todas as praias paradisíacas do litoral brasileiro já estão privatizadas por resorts, clubes privês, etc e, na minha modesta opinião, esse detalhe é o suficiente para cassar-lhes a qualificação;