

Há "lapsus" que não podemos,nem devemos,admitir!
Que diria o Dr.Cavaco Silva se o passássemos a tratar,cândidamente,por "venerando chefe de estado","corta-fitas",etc.
Isto para não lembrar epítetos muito mais ofensivos...










Eu já me esqueci de quase todas as minhas primeiras vezes e nem estou tão velho assim. O primeiro beijo - com língua ou sem língua? Primeira vez ao volante? Primeiro gol na pelada? Primeiro dia de aula nos diversos estabelecimentos de ensino? Alguns ícones desses são inesquecíveis, como o primeiro carro – um fusca, o primeiro apartamento alugado para morar sozinho, em Santa Tereza, e por aí vai. Mas o que eu queria mesmo esquecer foi o primeiro telefone celular, aquele enorme comparado aos atuais, sempre fora de área ou com a bateria descarregada. Não entendo coisa alguma dessa tecnologia e suas siglas, nunca liguei muito para eles e sempre vivi muito bem assim, sem a neurose de ter o celular na mão ou sentir-se perdido no mundo. Esqueço o aparelhinho em casa com freqüência, não escuto suas chamadas dentro da bolsa, não sei o que fazer com as fotos e filmes que arrisco gravar sem ter lido manual algum, deixo a bateria descarregada por alguns dias... Por mim esqueceria para sempre esse aparelho cerceador da liberdade do cidadão, fiscal do comportamento humano, agente da repressão. Mas quem disse que consigo? Posso não olhar muito pra cara dele, não ligar de manhã, perder o carregador da bateria, esquecer no botequim, mas não ter um celular tornou-se impensável, pela enorme gama de sentimentos “do bom” que ele proporciona quando funciona direitinho: segurança – pode-se solicitar socorro em qualquer momento ou situação, sociabilidade – chamamos as pessoas queridas ao bar à meia noite só para contar que quase ganhamos na loteria, diversão – ficar jogando pôquer enquanto espera a moça na porta do cinema e várias outras simpáticas funções aparecem nos misteriosos menus. Mas quando o possuidor do celular é desses neuróticos que ficam o tempo todo com o treco na mão, olham de dois em dois minutos para ver se alguém ligou, falam feito papagaios ao volante e esquecem de desligar no cinema, no teatro e, ai meu deus, no avião, torna-se um monstrinho tecnológico insuportável! Esse tipo de usuário vai acabar provocando uma lei por uso impróprio do celular, cuja pena será a proibição de possuí-lo por longos períodos, dependendo do crime cometido. Condenado ao silêncio! Para ilustrar essa classe de assinantes sem classe, apresento um vídeo bastante interessante sobre o assunto e vou colocar o meu aparelhinho para carregar, que eu já ia me esquecendo e amanhã é domingo!


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Um grande jogo de futebol se conhece pelas lágrimas! Assim diria Nelson Rodrigues, assim digo eu, assim dirão todos os tricolores pelos próximos mil séculos, quando a superfície deste planeta estará transformada em campos esburacados de peladas intermináveis, incapaz de produzir nem um grão de soja, maldita seja! O que vimos ontem – no meu caso pela TV, pois não entro em fila nem pra receber beijos da Catherine Deneuve – foi um drama épico de superação para sobreviver: se o time tricolor saísse do Maracanã derrotado, podia vender a sede das Laranjeiras, encerrar as atividades esportivas e passaríamos a jogar damas na beira da praia. Mas os Deuses do esporte bretão não permitiram mais uma vez que isso acontecesse. Vencer a empáfia dos bosteiros era questão de vida ou morte, não só para nós, tricolores, como para todo o povo brasileiro, que desde 1963 não elimina o Boca Juniors da Taça Libertadores da América. Eu disse 1963! O último clube brasileiro que conseguiu essa proeza foi o Santos, com aquele time de Pelé & Cia. O Fluminense não tem nenhum Pelé, mas seu time poderia muito bem ser a Cia, superior em alguns setores, inferior em outros, depende do ponto de vista e da camisa do comentarista. Temos que levar em consideração o seguinte: não é fácil jogar sem um Pelé! Mas voltando ao nosso dia a dia, ontem sorvi mais uma garrafa de vinho argentino no jantar, seguida de dois italianos e um chileno, na saideira. Éramos quatro torcedores, dois tricolores e dois rubro-negros que não resistiram muito tempo na torcida xeneize e passaram a nos apoiar incondicionalmente. Alguém conhece um bom vinho equatoriano? Está virando tradição... Como eu dizia ontem, mais uma vez Fernando Henrique fez a sua parte com técnica (aquela peculiar mania de defender com todas as partes do corpo e da alma) e sorte, mas uma sorte previsível: as bolas que passaram por ele encontraram os pés milagrosos do Thiago Silva. E, como eu dizia depois da Batalha de Buenos Aires, a fragilidade da defesa do Boca Juniors explica sua pressão para manter o jogo no campo do adversário. Só que ninguém agüenta os noventa minutos pressionando, catimbando, correndo feito louco, leões em volta da caça que vai dissimulando, fingindo que não vê e guardando pernas pra hora decisiva. O gol do Palermo foi a única prenda conseguida pela tática predadora dos argentinos. Ao reagir, o Fluminense convenceu-se de que seu ataque era muito superior àquela defesa ociosa. E foi o suficiente para fazer os três gols e perder mais alguns. Em 1995 o Fluminense jogou a semifinal do Campeonato Brasileiro contra o Santos, que era o franco favorito. Está certo que o tricolor era o campeão carioca – e venceu no ano do centenário do Flamengo – mas os paulistas sempre se acham favoritos. No primeiro jogo, no Maracanã, demos de goleada: 4 x 1. No segundo, no estádio do Pacaembu, deu Santos 5 x 2. Sobreviveram dois personagens dessa tragédia e um deles é o Renato Gaúcho, o único que aprendeu com o episódio e agora, como técnico, não deixou que a euforia com a eliminação do São Paulo e a boa atuação em Buenos Aires subisse à cabeça dos seus jogadores.O Fluminense jogou com humildade e determinação, soube superar suas deficiências e vencer uma grande batalha – mas a guerra continua, agora contra o esquadrão bolivariano. O jogo de ontem será lembrado em cada dia de vida dos tricolores e seus descendentes, com um sorriso de felicidade que não os deixará dizer “parece que foi ontem”. Porque sempre parecerá que foi hoje!

- Boa tarde, Doutor. Trouxe finalmente os resultados dos exames que o senhor me pediu. O quê? Ah, estou me sentindo ótimo. Tomei direitinho, a troca do remédio deu certo. Nunca mais senti aquelas coisas, Deus me livre! Esses aí eu nem abri, não entendo nada mesmo. Deus me livre, Doutor, infecção nenhuma! Isso, pode ver. É, mas não chegou a ultrapassar o limite. Mas o que é ácido úrico? Carne? Como pouca, com esse preço... Frutos do mar? Peixe é fruto do mar? Não? Então, ta difícil. Com todo esse litoral que o Brasil tem, Doutor, um quilo de camarão custar os olhos da cara e ainda aumentar o colesterol, to fora! Pão pode ser, mas minha mãe, que já está com Deus, bendita seja, sempre adorou pão. Comia pão com pão! Era irmã de padeiro, filhos de portugueses. Nunca me falou de ácido úrico. Muito menos de qualquer doença relacionada ao pão, foi dar logo em mim? O colesterol ta bom mesmo, né? Graças do remédio que o Doutor receitou? E a minha dieta, não conta? Dois meses comendo peixe com alface e foi o remédio que baixou o colesterol? Sonho com peixe, Doutor. Acordo de noite, olho pro lado e minha senhora virou sereia! Fico fazendo biquinho no espelho do elevador! Não posso ver o mar que quero mergulhar de roupa e tudo. E foi aquela pilulinha amarela? Como é que se chama mesmo? Albertina? Era o nome da minha avó, que Deus a tenha! Ah, estatina. Baixa o colesterol sem precisar gastar uma grana com peixe. Prefiro o peixe frito. Já reparou no cheirinho do peixe frito? Ninguém resiste. É a melhor comida desse mundo. Oquei, vamos adiante. Se me mandassem soletrar triglicerídeos eu perdia o milhão, doutor. Se eu bebo muito? Olha, vou ser absolutamente sincero com o senhor: só bebo uma vez por semana. A segunda vez, só se tiver algum evento, tipo casamento de primo, jantar na casa da sogra, essas coisas. Família grande, sabe como é. Mas quando bebo, bebo bem prá não perder a viagem. Chope tem triglicerídeo? Uísque também? Todo álcool tem? O pão também? Disconjuro. Só falta dizer que a batata frita faz mal... Também? To lascado. Agora que não saio mais do peixe frito com alface. Gama-glute-o-quê? Fígado abalado? Quer dizer que vou ficar só na mineral, não faça isso, Doutor. Uma vez por semana, então...
Ainda sobre a noite de sábado, quando me referi aos "monstros sagrados" da MPB cobrarem ingressos absurdos, mesmo com os inúmeros patrocínios que conseguem, o que não aconteceu com Teresa Salgueiro, eis o ingresso que paguei para assistir ao grande show. Tive um desconto por ser assinante de um jornal carioca. A grande desculpa é o derrame de carteiras de estudantes falsas, ou carteiras de falsos estudantes... Os demais, que não usam documentos paraguaios, não são estudantes e não tem nada a ver com isso, pagam mais para os nossos grandes artistas não se sentirem prejudicados com a malandragem geral. Acho que vou providenciar a minha carteirinha - afinal quem honestamente não pagava meia-entrada não merece pagar em dobro...

"Não
Não pode mais meu coração
Viver assim dilacerado
Escravizado a uma ilusão
Que é só desilusão
Ah, não seja a vida sempre assim
Como um luar desesperado
A derramar melancolia em mim
Poesia em mim
Vai, triste canção, sai do meu peito
E semeia a emoção
Que chora dentro do meu coração
Coração"
Pois foi justamente o que ela fez: semeou nova emoção dentro de nosso coração brasileiro.
Teresa Salgueiro está viajando, levando nossas relíquias musicais mundo a fora, como uma nova João Gilberto, tornando universal nossa língua, nossa poesia, nossa música.