terça-feira, 10 de junho de 2008

DIA DA RAÇA



Há "lapsus" que não podemos,nem devemos,admitir!
Que diria o Dr.Cavaco Silva se o passássemos a tratar,cândidamente,por "venerando chefe de estado","corta-fitas",etc.
Isto para não lembrar epítetos muito mais ofensivos...

AS MELHORES PRAIAS DA EUROPA


Acompanho o cepticismo de Bandeira...

DIA DE PORTUGAL/ÚLTIMA HORA





Acabámos de saber (embora as fontes sejam pouco credíveis) que está marcada para hoje,a hora desconhecida,uma deslocação em marcha lenta até à porta da residência do Secretário de Estado do Desporto.
Os "protestantes" são empresários de jogadores de futebol.
Exigem:
Uma pensão vitalícia de 75.000 euros x 14 meses (anual);
Subsídios e financiamentos a taxa 0 ,que lhes permita renovar a sua frota automóvel;
Uma posição de 5º lugar,na hierarquia do Estado.
Caso as suas reivindicações não sejam,de imediato,satisfeitas não autorizarão os "seus" jogadores a alinharem contra a República Checa.
Há que atender aos senhores,para o "bom nome" de Portugal.
Tememos que "camionistas" e "pescadores" se lhe juntem.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

FUTEBOL TOTAL


Para quem gosta,este foi um jogo belíssimo.
Bola sempre a rolar.
O jogo pelo jogo.
O futebol total.
Há muito tempo que,quando a partida termina,nós ficamos aborrecidos porque o espectáculo foi tão bom que nem dei pela passagem do tempo.
A Itália jogou muito bem,mas não resistiu ao regresso da "laranja mecânica"!
Holanda 3 - Itália 0
Belíssimo jogo!

PROTESTO DAS TRANSPORTADORAS





Nos próximos dias iremos ver dezenas de imagens semelhantes às de esta noite.
Mais uma vez,quem vai pagar as favas somos nós.
Até nem somos donos de camions...
Limitamo-nos a não ter os bens que seriam transportados e,quando os tivermos,veremos o seu preço engordado.
Até os Correios terão aderido!Por alma de quem?!

ESPECULADORES


Esta é a corja que,no mundo inteiro,manobra os "cordelinhos" e nos faz a vida negra.
Com dinheiro,arranjam sempre uns colaboracionistas que fazem o papel de "cruzeta",na miragem de se poderem juntar à corja.
Também os há que,ingènuamente,desempenham esse papel.
Gostava de ter engenho suficiente para acabar com a corja.
Infelizmente,confesso que não tenho.
Também não conheço alguém que o tenha.
Como todos,limito-me a protestar...

domingo, 8 de junho de 2008

UM APARELHINHO DIABÓLICO

Eu já me esqueci de quase todas as minhas primeiras vezes e nem estou tão velho assim. O primeiro beijo - com língua ou sem língua? Primeira vez ao volante? Primeiro gol na pelada? Primeiro dia de aula nos diversos estabelecimentos de ensino? Alguns ícones desses são inesquecíveis, como o primeiro carro – um fusca, o primeiro apartamento alugado para morar sozinho, em Santa Tereza, e por aí vai. Mas o que eu queria mesmo esquecer foi o primeiro telefone celular, aquele enorme comparado aos atuais, sempre fora de área ou com a bateria descarregada. Não entendo coisa alguma dessa tecnologia e suas siglas, nunca liguei muito para eles e sempre vivi muito bem assim, sem a neurose de ter o celular na mão ou sentir-se perdido no mundo. Esqueço o aparelhinho em casa com freqüência, não escuto suas chamadas dentro da bolsa, não sei o que fazer com as fotos e filmes que arrisco gravar sem ter lido manual algum, deixo a bateria descarregada por alguns dias... Por mim esqueceria para sempre esse aparelho cerceador da liberdade do cidadão, fiscal do comportamento humano, agente da repressão. Mas quem disse que consigo? Posso não olhar muito pra cara dele, não ligar de manhã, perder o carregador da bateria, esquecer no botequim, mas não ter um celular tornou-se impensável, pela enorme gama de sentimentos “do bom” que ele proporciona quando funciona direitinho: segurança – pode-se solicitar socorro em qualquer momento ou situação, sociabilidade – chamamos as pessoas queridas ao bar à meia noite só para contar que quase ganhamos na loteria, diversão – ficar jogando pôquer enquanto espera a moça na porta do cinema e várias outras simpáticas funções aparecem nos misteriosos menus. Mas quando o possuidor do celular é desses neuróticos que ficam o tempo todo com o treco na mão, olham de dois em dois minutos para ver se alguém ligou, falam feito papagaios ao volante e esquecem de desligar no cinema, no teatro e, ai meu deus, no avião, torna-se um monstrinho tecnológico insuportável! Esse tipo de usuário vai acabar provocando uma lei por uso impróprio do celular, cuja pena será a proibição de possuí-lo por longos períodos, dependendo do crime cometido. Condenado ao silêncio! Para ilustrar essa classe de assinantes sem classe, apresento um vídeo bastante interessante sobre o assunto e vou colocar o meu aparelhinho para carregar, que eu já ia me esquecendo e amanhã é domingo!


ALCAIDE DE MADRID



Ora aqui está uma actividade de alto risco!
Basta ver as fotografias publicadas,esta semana em "20 minutos.es".
Na primeira,o ex-alcaide Álvarez Manzano apanha um susto de todo o tamanho:na Feira de Santo Isidro,em Las Ventas,o touro salta a barreira,mesmo à sua frente...
Como terão ficado as cuecas?!
Na segunda,o actual alcaide Alberto Ruiz-Gallardón,à saída de uma reunião do Comité Executivo Nacional do PP,em Madrid,enquanto prestava declarações à comunicação social,é tratado da maneira que se vê por um "amigo" do seu partido...
Se,na nossa terrinha,os alcaides fossem alvo destes "sustos",não haveria tanto bicho careta a querer ser "alcaide"...
E muitos,anteriores e actuais,bem mereciam um tratamento de choque!!!
Aqui,não se passa nada...

sábado, 7 de junho de 2008

COMEÇÁMOS BEM!



Apesar do conservadorismo do senhor Scollari,conseguimos ganhar à Turquia.
Pepe e Raúl Meireles foram os autores dos golos
O resultado foi bom: 2-0!
Ficou nítido que Portugal ainda não tem uma equipa.
Aguardemos o jogo com a República Checa que,no jogo inaugural derrotou os organizadores por 1 - 0!
Força Portugal!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

SER PORTUGUÊS,HOJE


Isto está cada vez pior.
Amanhã começa o Europeu e o Governo ainda não me deu o subsídio para eu comprar uma bandeira,um boné,um cachecol e uma camisola do Cristiano Ronaldo...
Assim,não vamos lá!

O CHEFE DO GALINHEIRO


Com as normas "europeias" acabaram-se os galinheiros.

Proliferam os aviários,com estudo prévio de impacte ambiental,de viabilidade económica,com limites de produção,com regulamentação de cores de penas,de dimensão de ovos,de prazo de vida para franguitos e pintos do dia,etc.

O chefe do aviário é um tipo de bata branca e luvas de borracha,com uma "protecção" no nariz.

Acabou o reinado dos galos!

Já não é preciso proteger a família.

Já não é preciso ensinar.

Basta esperar pelo prazo de validade.

O galo foi substituído por um qualquer "engenheiro" que cuida do aviário.

Recuso-me a ter penas!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

FOI ONTEM!

Um grande jogo de futebol se conhece pelas lágrimas! Assim diria Nelson Rodrigues, assim digo eu, assim dirão todos os tricolores pelos próximos mil séculos, quando a superfície deste planeta estará transformada em campos esburacados de peladas intermináveis, incapaz de produzir nem um grão de soja, maldita seja! O que vimos ontem – no meu caso pela TV, pois não entro em fila nem pra receber beijos da Catherine Deneuve – foi um drama épico de superação para sobreviver: se o time tricolor saísse do Maracanã derrotado, podia vender a sede das Laranjeiras, encerrar as atividades esportivas e passaríamos a jogar damas na beira da praia. Mas os Deuses do esporte bretão não permitiram mais uma vez que isso acontecesse. Vencer a empáfia dos bosteiros era questão de vida ou morte, não só para nós, tricolores, como para todo o povo brasileiro, que desde 1963 não elimina o Boca Juniors da Taça Libertadores da América. Eu disse 1963! O último clube brasileiro que conseguiu essa proeza foi o Santos, com aquele time de Pelé & Cia. O Fluminense não tem nenhum Pelé, mas seu time poderia muito bem ser a Cia, superior em alguns setores, inferior em outros, depende do ponto de vista e da camisa do comentarista. Temos que levar em consideração o seguinte: não é fácil jogar sem um Pelé! Mas voltando ao nosso dia a dia, ontem sorvi mais uma garrafa de vinho argentino no jantar, seguida de dois italianos e um chileno, na saideira. Éramos quatro torcedores, dois tricolores e dois rubro-negros que não resistiram muito tempo na torcida xeneize e passaram a nos apoiar incondicionalmente. Alguém conhece um bom vinho equatoriano? Está virando tradição... Como eu dizia ontem, mais uma vez Fernando Henrique fez a sua parte com técnica (aquela peculiar mania de defender com todas as partes do corpo e da alma) e sorte, mas uma sorte previsível: as bolas que passaram por ele encontraram os pés milagrosos do Thiago Silva. E, como eu dizia depois da Batalha de Buenos Aires, a fragilidade da defesa do Boca Juniors explica sua pressão para manter o jogo no campo do adversário. Só que ninguém agüenta os noventa minutos pressionando, catimbando, correndo feito louco, leões em volta da caça que vai dissimulando, fingindo que não vê e guardando pernas pra hora decisiva. O gol do Palermo foi a única prenda conseguida pela tática predadora dos argentinos. Ao reagir, o Fluminense convenceu-se de que seu ataque era muito superior àquela defesa ociosa. E foi o suficiente para fazer os três gols e perder mais alguns. Em 1995 o Fluminense jogou a semifinal do Campeonato Brasileiro contra o Santos, que era o franco favorito. Está certo que o tricolor era o campeão carioca – e venceu no ano do centenário do Flamengo – mas os paulistas sempre se acham favoritos. No primeiro jogo, no Maracanã, demos de goleada: 4 x 1. No segundo, no estádio do Pacaembu, deu Santos 5 x 2. Sobreviveram dois personagens dessa tragédia e um deles é o Renato Gaúcho, o único que aprendeu com o episódio e agora, como técnico, não deixou que a euforia com a eliminação do São Paulo e a boa atuação em Buenos Aires subisse à cabeça dos seus jogadores.O Fluminense jogou com humildade e determinação, soube superar suas deficiências e vencer uma grande batalha – mas a guerra continua, agora contra o esquadrão bolivariano. O jogo de ontem será lembrado em cada dia de vida dos tricolores e seus descendentes, com um sorriso de felicidade que não os deixará dizer “parece que foi ontem”. Porque sempre parecerá que foi hoje!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

É HOJE!

A visita que fiz essa semana ao cardiologista (parte do diálogo reproduzi na última postagem), não foi à toa: hoje vou jogar contra o fabuloso time do Boca Júniors. Mas não será apenas uma disputa de 11 contra 11. Terei que enfrentar também parte da soberba torcida rubro-negra, que se aliou ao adversário argentino contra o sucesso de um clube brasileiro, e pior ainda, carioca. Logo os argentinos, os orgulhosos rivais “europeus” não só no futebol. Disse parte porque sei que alguns mais sensatos não vão cair nessa armadilha, como o Zico, por exemplo, por quem o Brasil inteiro torceu durante toda a vida de jogador e torce até hoje por sua carreira de técnico. O Dunga que se cuide... Tudo bem, dessa vez não desejo sorte aos flamenguistas, como já o fiz tantas vezes. Vou precisar de toda a dose para logo mais, pois sem ela não se ganha nada no futebol nem na vida. E eu me acho uma pessoa de sorte, apesar de jamais ter ganhado no bicho, nas loterias, em rifas nem sorteios. Sorte não tem apenas o aspecto pecuniário - não posso reclamar da escolha do time, das namoradas, dos amigos e até dos automóveis. Moro no Rio de Janeiro e tenho uma cabana no Vale das Flores, região próxima a Visconde de Mauá – é só atravessar a fronteira com Minas Gerais, o que também é sinal de sorte: passo lá momentos maravilhosos, com minhas famílias, a que escolhi e a que ganhei quando aqui cheguei – tem sorte maior que essa? Então, logo mais as torcidas adversárias não vão me abalar. O futebol, dessa vez, não será uma caixinha de surpresa: os times se equivalem, vencerá quem jogar melhor. Se depender do Sobrenatural, duvido que o Boca Juniors tenha um De Almeida a seu favor, que estará sentado sobre a baliza do Fernando Henrique evitando os torpedos do Riquelme, ao lado de Nelson Rodrigues, que o levou ao estrelado terreno. Assim foi na Batalha da Argentina: Fernando Henrique, o melhor em campo. Acertou até no golpe de vista... Se me permitem, vou me concentrar para logo mais, quando verei o jogo mais importante da história tricolor. Salut!

OBAMA


Agora já não há dúvidas.
OBAMA venceu.
Será nomeado?
Porque será que se levantam estas dúvidas,já que estamos a falar no Império da Liberdade?!

MARMITA FILOSÓFICA


Marmita filosófica ou Filosofia de marmita...
É um novo espaço de ideias,completamente revolucionário.
Uma parceria transatlântica,entre a Ursa Menor e o Cruzeiro do Sul.
Aqueles que mal sabem o que foi o Maio de 68,não irão esquecer o Junho de 2008!
Um think tank que ficará para História.
Visite este novo espaço em:
http://filosofiademarmita.blogspot.com
Divirta-se e divirta-nos!

terça-feira, 3 de junho de 2008

CONSULTA

- Boa tarde, Doutor. Trouxe finalmente os resultados dos exames que o senhor me pediu. O quê? Ah, estou me sentindo ótimo. Tomei direitinho, a troca do remédio deu certo. Nunca mais senti aquelas coisas, Deus me livre! Esses aí eu nem abri, não entendo nada mesmo. Deus me livre, Doutor, infecção nenhuma! Isso, pode ver. É, mas não chegou a ultrapassar o limite. Mas o que é ácido úrico? Carne? Como pouca, com esse preço... Frutos do mar? Peixe é fruto do mar? Não? Então, ta difícil. Com todo esse litoral que o Brasil tem, Doutor, um quilo de camarão custar os olhos da cara e ainda aumentar o colesterol, to fora! Pão pode ser, mas minha mãe, que já está com Deus, bendita seja, sempre adorou pão. Comia pão com pão! Era irmã de padeiro, filhos de portugueses. Nunca me falou de ácido úrico. Muito menos de qualquer doença relacionada ao pão, foi dar logo em mim? O colesterol ta bom mesmo, né? Graças do remédio que o Doutor receitou? E a minha dieta, não conta? Dois meses comendo peixe com alface e foi o remédio que baixou o colesterol? Sonho com peixe, Doutor. Acordo de noite, olho pro lado e minha senhora virou sereia! Fico fazendo biquinho no espelho do elevador! Não posso ver o mar que quero mergulhar de roupa e tudo. E foi aquela pilulinha amarela? Como é que se chama mesmo? Albertina? Era o nome da minha avó, que Deus a tenha! Ah, estatina. Baixa o colesterol sem precisar gastar uma grana com peixe. Prefiro o peixe frito. Já reparou no cheirinho do peixe frito? Ninguém resiste. É a melhor comida desse mundo. Oquei, vamos adiante. Se me mandassem soletrar triglicerídeos eu perdia o milhão, doutor. Se eu bebo muito? Olha, vou ser absolutamente sincero com o senhor: só bebo uma vez por semana. A segunda vez, só se tiver algum evento, tipo casamento de primo, jantar na casa da sogra, essas coisas. Família grande, sabe como é. Mas quando bebo, bebo bem prá não perder a viagem. Chope tem triglicerídeo? Uísque também? Todo álcool tem? O pão também? Disconjuro. Só falta dizer que a batata frita faz mal... Também? To lascado. Agora que não saio mais do peixe frito com alface. Gama-glute-o-quê? Fígado abalado? Quer dizer que vou ficar só na mineral, não faça isso, Doutor. Uma vez por semana, então...

A PROPÓSITO...

Ainda sobre a noite de sábado, quando me referi aos "monstros sagrados" da MPB cobrarem ingressos absurdos, mesmo com os inúmeros patrocínios que conseguem, o que não aconteceu com Teresa Salgueiro, eis o ingresso que paguei para assistir ao grande show. Tive um desconto por ser assinante de um jornal carioca. A grande desculpa é o derrame de carteiras de estudantes falsas, ou carteiras de falsos estudantes... Os demais, que não usam documentos paraguaios, não são estudantes e não tem nada a ver com isso, pagam mais para os nossos grandes artistas não se sentirem prejudicados com a malandragem geral. Acho que vou providenciar a minha carteirinha - afinal quem honestamente não pagava meia-entrada não merece pagar em dobro...

A CHACOTA


Este texto é quase uma cópia,de um outro com o mesmo título.aqui publicado em 28 de Março de 2007.
Infelizmente,torna-se cada vez mais necessária uma reflexão sobre este assunto.
O que se passa em Portugal,começa a ser demasiado preocupante.
Se virmos um noticiário de um qualquer "país das bananas",e compararmos com o nosso,as notícias são semelhantes.Eventualmente,a côr da pele dos protagonistas é diferente.
É verdade que neste "mundo virtual" fartamo-nos de gozar com isso.
Porque temos um mundo livre e democrático,com as nossas regras,que não tem correspondência no "mundo real".
As "maiorias silenciosas" que não aparecem no seu mundo,vão aparecendo por aqui.
E nós,livres e democratas,estamos-lhes a dar voz e,até,a ampliá-la!
Com isso,temo que estejamos a matar a nossa própria liberdade.
Creio que temos que reflectir sobre os nossos próprios limites para a chacota.
Podemos,com a publicidade,aumentar a audiência dos vermes que andam por aí!
Suponho que temos que aperfeiçoar as nossas armas,para preservar a nossa liberdade,tanto no MUNDO VIRTUAL como no MUNDO REAL.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

UMA ESTRELA BRILHA NO CÉU DE SÁBADO

Sábado frio e manhoso, chegada de chuva ainda envergonhadinha, que interrompe a série de lindas noites de outono que vinham embelezando ainda mais o Rio de Janeiro. Caminhada vespertina em Ipanema, boa garrafa de vinho e conversa jogada dentro, interessante, carinhosa e esclarecedora. Se a receita é pequena, melhoremos a qualidade da despesa! (adoro a contramão da teoria econômica) Foi exatamente o que aconteceu a partir das 21h30min quando adentramos o Teatro Municipal para assistir ao recital brasileiro da cantora portuguesa Teresa Salgueiro. Sem cometer preços absurdos, como vem acontecendo com os “monstros sagrados” da música tupiniquim, Teresa nos presenteou com uma aula de interpretação de músicas dos mais consagrados compositores brasileiros. O início do show foi instrumental, com o quinteto liderado pelos maestros Carlos Cristal ao piano e Nailor Proveta nos variados saxofones e afins. Wave já dava a pista de que a noite seria costurada com as linhas melódicas do Tom Jobim. O show poderia ser chamado de forma bem lusitana – “Tom Jobim com Todos” (adoro essa expressão culinária da Terrinha, que tem sua correspondente etílica aqui no balneário: “tomei todas!”) – pois nosso Maestro Soberano vem acompanhado de Pixinguinha, Ari Barroso, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Carlos Lyra e muitos outros. Além de cantar com seriedade e respeito, exibindo sua técnica exuberante com emoção e graça, Teresa prestou homenagem ao nosso Dorival Caymmi sem dizer uma palavra: apenas cantou algumas de suas canções, como se dissesse ao mestre baiano com toda a humildade e simpatia: serei sua nova Carmem Miranda! O samba em suas veias lusitanas falou mais forte e a artista não se fez de rogada - dançou como uma cabrocha do Ataulfo Alves. Tudo isso sem gritar “vamos lá, galera” a cada refrão, sem rebolar, sem pular, sem desafinar. “Nenhum defeito?” - pergunta-me o torcedor de nariz, sempre de plantão no balcão do Bracarense, pronto para duvidar dos bons momentos alheios. Sim, prontamente corrigidos e apontados no “expediente” pela cantora: o som da orquestra estava cobrindo sua voz nas duas primeiras músicas, como também pouco se ouvia do violão e as duas simpáticas cantoras do backing vocals O técnico não teve muito tempo para instalar e mixar a parafernália sonora por causa da realização de um evento no teatro na parte da tarde. No final, com as duas do bis, Teresa veio nos levar para a cama com dois beijinhos e nos cobrindo com o calor de “Você e Eu”, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes e uma interpretação emocionada de “Modinha”, uma das mais belas canções de Tom e Vinícius, cuja letra faço questão de reproduzir aqui para refrescar a memória de quem não está ligando o nome à melodia:

"Não
Não pode mais meu coração
Viver assim dilacerado
Escravizado a uma ilusão
Que é só desilusão

Ah, não seja a vida sempre assim
Como um luar desesperado
A derramar melancolia em mim
Poesia em mim

Vai, triste canção, sai do meu peito
E semeia a emoção
Que chora dentro do meu coração
Coração"

Pois foi justamente o que ela fez: semeou nova emoção dentro de nosso coração brasileiro.

Teresa Salgueiro está viajando, levando nossas relíquias musicais mundo a fora, como uma nova João Gilberto, tornando universal nossa língua, nossa poesia, nossa música.