segunda-feira, 4 de outubro de 2010

(do) BLOCO


Esqueçam os blocos partidários.
Estou a pretender dizer algo,mas sobre os blocos operatórios!
Esta,foi a minha terceira experiência.
A primeira,para aí em 68,fui operado a um joelho num hospital militar(durante a guerra colonial):o cirurgião,pessoa ilustre desta cidade,infelizmente já falecido,tinha um consultório civil de dentista e era(ainda hoje é) uma figura de referência no domínio da dermatologia.
Garanto-vos que a operação ao joelho correu bem,mesmo em ambiente de guerra.
A minha segunda ida ao bloco foi há cerca de 16 anos.
Fui aos Covões tratar de uma hérnia.
Também,tudo correu bem.
Desta vez,para remover uma catarata que,há anos,não me deixava ver do olho direito,fui à Santa Filomena,aqui na cidade.
Depois da consulta do meu cirurgião,para confirmar as lesões,cerca da 1 e meia da tarde,lá dei entrada no bloco.
Parecia uma coisa muito séria!
Despi a roupa.Deram-me umas calças e uma espécie de camisa verde escura,mais umas sapatas de plástico branco e uma touca branca com pintinhas verdes.
Uma indumentária bonita!
E,nessa figura,lá fui para a antecâmera da operação.
Aí encontrei cerca de uma dúzia de pessoas,para o mesmo fim.
Conforme as lesões,calculo eu,as fardetas variavam entre o verde escuro,o violeta e o azul.
Lá nos espetavam aquela agulha numa das mãos,para receber soro,antibiótico,etc.
As enfermeiras,bonitas e simpatiquíssimas,vinham dar-nos gotas nos olhos,para anestesia e dilatação da pupila.
E,naquela sala,todos e todas fragilizados,estabelecia-se a conversação apropriada a manter um bom ambiente,com confiança(uns mais que outros) e descontraído.
Uma senhora,que estava a meu lado,dizia-me:
Ó filho!Nem pareces doente!
Eu respondi-lhe:
Está bem,avó.Vai tudo correr bem.
Nisto,vem uma enfermeira pôr-me mais gotas.
Teve que me trepar pelas pernas acima e a colega que,em frente,fazia a mesma coisa disse:Eh!Achas que precisa de Viagra?!
Respondi:Não,minha querida.Prefiro não morrer "de coração"!
Um senhor chegou então,amparado por duas ajudantes,que o ajudaram a sentar na cadeira.
A pergunta do costume:Senhor... há quanto não vê?Diz aqui que nasceu em 23,mas deve ser engano!
Ó menina,é engano é!Nasci em 1913 e já não vejo há 10 anos.
E o senhor é diabético?
Os médicos dizem que sim,mas nunca tomei medicamentos...
Não pode ser avôzinho.
De vez em quando,o meu cirurgião,vinha ver como eu estava.O meu vizinho da frente,reparou que nos tratávamos por tu.
Então,ele um rapagão grande de quarenta e tal anos(ex-GNR) diz-me:
Ó doutor!Quando o seu colega cá vier,peça-lhe para me deixar ir lá fora,fumar um cigarrinho!
Neste ambiente descontraído,entrei para a sala de operações,removeram-me a catarata e aplicaram-me uma intraocular com 21 diopetrias!
Cerca das 3 da tarde,saí da clínica pelo meu pé(antes até me deram um tabuleiro com sumos,sandes,etc que recusei) e vim almoçar almoçar à minha tasca habitual!
Já hoje,em consulta pós-operatória,confirmou-se que correu tudo bem.
Já vejo melhor do olho direito que do esquerdo.
Acautelem-se!


2 comentários:

maria disse...

Gostei da tua humorística narração
dos rituais para intervenção ao olho...é tal e qual...já passei
por momentos desses...não ao olho...

Ficaste então a ver bem " à direita" mas CONTINUA a ver sempre
"à esquerda"...não te "confundas" no próximo domingo!!!

Tozé Franco disse...

Estimo as melhoras.
Um abraço.