terça-feira, 18 de dezembro de 2007

A GUERRA



Continuo a "consumir",com muito prazer,o trabalho de Joaquim Furtado.

Algumas das críticas que "vejo",são para mim compreensíveis.

Dizem que JF dá demasiada compreensão aos movimentos independentistas,de libertação,etc.,em relação à actividade das tropas portuguesas.

Entendo isso,reportando-me à época.

Uma visão de esquerda tradicional sempre colocaria,no topo,os movimentos libertadores.

Claro que é preciso não esquecer que,a grande maioria das tropas portuguesas,era enquadrada por oficiais e sargentos milicianos que,daqui,de Portugal foram retirados às suas famílias,às suas Universidades(uma boa parte,por serem activos militantes anti-fascistas),eles próprios portadores da tal "visão" de esquerda...

Quem tem memória,lembra-se dos poucos oficiais "do quadro" no terreno!

Além de poucos,tinham em si aquela noção de estirpe:mais habituada a fardas de gala,salões,a "miséria dourada" como se chamava na época.

Tinham aprendido a dar ordens e não sabiam,nem queriam saber,o que era meter as mãos na merda...

Vendo isto,a 40 anos de distância,dou-me ao luxo de não ser polìticamente correcto!

Tenho a certeza que não procedemos bem!

Fomos "atacar" os donos do seu território...

Os poucos exemplos,com êxito,no mundo existente são aqueles de territórios em que toda a população foi exterminada,ou em que não havia população.

Infelizmente,para todos,os países independentes de antiga dominação portuguesa estão entregues a cliques familiares e fazem sofrer os seus povos,muito mais,do que no tempo do colonialismo.

Os dirigentes vivem que nem nababos!

O povo morre à fome!

As ajudas "humanitárias" vão direitinhas aos bolsos,e às contas secretas,dos dirigentes e seus apoiantes.

Só conheço dois exemplos de êxito:um arquipélago não povoado e uma grande potência em que a população autóctene foi,quase totalmente,exterminada.

Gostaria,hoje,de estar a tecer loas à libertação dos "povos africanos"...

Não o faço,por respeito à dignidade desses povos.

Continuo a manter um grande respeito pelos líderes desse tempo.

Os que ficaram com a "herança",só querem é viver bem.

Terão sempre "asilo" de luxo nas grandes capitais...

1 comentário:

moitacarrasco disse...

Pesado. Muito pesado!
Duro, muito duro!

Aplaudo, de pé.