sábado, 31 de março de 2007

CANCIONEIRO DA ESPERANÇA


Este é o título de uma Antologia organizada por Maria Tereza Horta e José Carlos Ary dos Santos e editada pela SEARA NOVA em 1971.

Vou-vos deixar com o poeta REINALDO FERREIRA


A QUE MORREU ÁS PORTAS DE MADRID


A que morreu às portas de Madrid,

com uma praga na boca

e a espingarda na mão,

teve a sorte que quis,

teve o fim que escolheu.

Nunca,passiva e aterrada,ela rezou.

E antes de flor,foi,como tantas,pomo.

Ninguém a virgindade lhe roubou

depois de um saque - antes a deu

a quem lha desejou,

na lama dum reduto,

sem náusea,mas sem cio,

sob a manta comum,

a pretexto do frio.

Não quis na retaguarda aligeirar

entre champanhe,aos generais senis,

as horas de lazer.

Não quis,activa e boa,tricotar

agasalhos pueris,no socego dum lar.


Não sonhou minorar,

num heroísmo branco,

de bicho de hospital,

a aflição dos aflitos.

Ar livre!Que ninguém canta

Ar livre!que ninguém canta

Com a corda na garganta,

Tolhido da inspiração!

Ar livre,como se tem

Fora do ventre da mãe,

Desligado do cordão!


Ar livre,sem restrições!

Ou há pilmões,

Ou não há!

Fechem as outras riquezas

Mas tenham fartas as mesas

Do ar que a vida nos dá!


Ttranscrito com todas as gralhas

6 comentários:

moitacarrasco disse...

Soberbo!
Que maravilha!
Levanto-me para aplaudir.
Bravo! Bravíssimo!
mc

albertino jarreta javardo disse...

Mas qu'é isso, ó meu?
Qual é a graça?
Já chegámos à êlha?

Ó vaidemim, ó ft, ó murcão, ó da guarda!
Acudam!
Os gajos do contenente endoidaram...
Falem, carago!
Protestem.
São os comunistas!
ajj

vaidemim lorpeiro disse...

Presente, javardo!
São muitos, jarreta?
Afoga-os aí ao largo!
vl

jojó nunca pingo nas calças disse...

É obra da p**** da Carol.
Tá visto.
Só pode ser!
Acudam!
Ó formigueira!
Estás mudo ou quê?
Protesta!
jnpc

formigueira torpes disse...

Q'ando o meu irmão era vivo... Se uma coisa destas sucedia?

No Marco não põem eles os chispes!
A malta arregaça as mangas e vai disto, ó malta.
Vamos calá-los.
ft

rui disse...

Do Fialho não posso falar...
ando à procura de inspiração.
um abraço,

rui